O estudo CORPO SENSÍVEL surge de experiências bastante pessoais. Percebi, ao longo da vida, que buscava diversas ferramentas para lidar com os múltiplos atravessamentos que a vida propõe (impõe). Belezas e dores. Intensidades, das pequeninas, às que parecem engolir tudo. Silêncios e gritos.
Nessa caminhada, fui encontrando no teatro, na poesia, na literatura, na escrita, nos caminhos do autocuidado e na yoga ferramentas fundamentais para me ajudar a dar conta do mundo e expressar esses transbordamentos na busca por um contorno estético que desse forma a essas expressões. Outros processos como a eutonia, a acupuntura, a medicina chinesa, os toques sutis e olhares para alimentação também são fontes de inspiração e ferramentas de acolhimento que venho experienciado nos últimos anos.
É pulsante o desejo que sinto, como educadora, de partilhar descobertas e experiências, oferecendo as ferramentas que conheço e aprendendo com o que cada pessoa que encontro pode me ofertar.

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Daí germina o desejo da construção desse processo. Até hoje foram cinco turmas presenciais e cinco virtuais do módulo 1 e duas do módulo 2. Nesses encontros meu papel é o de mediar desejos, potências, possibilidades e investigações de cada participante, sobre si própries e sobre as possibilidades de se relacionar com o mundo.
O desejo é o de propor um mergulho profundo em si e nas relações de cada pessoa com o mundo de forma responsável, generosa, solidária e afetuosa, considerando que partilhamos um tempo/espaço em uma sociedade profundamente estruturada pelo racismo, pelo patriarcado e pelo capitalismo.
Meus estudos, nos últimos anos, têm sido no campo das perspectivas decoloniais do pensamento, e essas referências dão o tom, direta ou indiretamente, de cada proposta.
Assim, o tipo de proposta vai sendo moldado conforme os desejos de cada pessoa, mas, de maneira geral, inclui escrita, práticas de autocuidado, exercícios corporais, investigações de memórias e de nossos papéis sociais.
A gente conversa, lê, recita, brinca, faz exercícios corporais, alonga, escreve, trabalha os textos escritos, cria pequenas cenas, trabalha essas cenas, e compartilha referências, especialmente aquelas que contemplam a perspectiva decolonial.
É importante dizer que, apesar de mergulharmos em campos sensíveis, pessoais e de autoconhecimento, não se trata de um trabalho psicoterapêutico, pois não é essa minha formação. Sou pedagoga, atriz, cursei o início da faculdade de ciências sociais, tenho pós-graduação como arte-educadora, e sou professora de yoga. Minha intenção, portanto, não é trazer teorias ou respostas capazes de dar conta das tantas questões colocadas, mas, sim, de criamos juntes esse espaço de busca e aprendizado por nossos corpes sensíveis